segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A história da foto de Pelé

Estava eu andando pelas ruas de Toronto no Canada e derepente um senhor me chama e pergunta: Você fala português?(era um senhor português), respondi ... sim falo português... então ele disse: és brasileiro... eu respondi ... sim sou de São Paulo Brasil , aí ele me falou, tenho um presente para si... na hora achei estranho, então ele se apresentou-se como Sr.Augusto e tirou uma foto do Pelé da pasta que tinha na mão e me deu, na foto (era uma cópia) tinha ele a esposa e Pelé , eu agradeci aquele senhor que me parou na rua e ele se despediu e fui para casa.
Quando cheguei em casa reparei que a foto tinha o autográfo do Pelé e dedicatória, ai achei estranho , será que tiveram tanto tempo juntos a tempo de revelar a foto na época, ai no verso da foto tinha uma história que explicou a situação, dizia o seguinte:

Quando soube que Pelé iria estar em Toronto no dia 30 de abril, pus me imediatamente em campanha para saber da possibilidade de falar pessoalmente com ele.Isto por dois motivos: o interesse jornalístico e o propósito de lhe entregar uma antiga fotografia.

Em 1973, meu marido e eu resídiamos em Melbourne (Austrália) no estado de Victória. Foi o ultimo ano que Pelé jogou no Santos. Em jeito de despedida, esta equipa brasileira fez uma tournée mundial com uma das paragens em Melbourne, onde jogou contra a seleção de  Victória. Nós aproveitamos o ensejo para organizar um grande almoço com os jogadores que quiseram participar e com amigos da comunidade portuguesa.

Como é de praxe, tiraram-se muitas fotografias e, numa delas, ficamos os três: meu marido, Pelé e eu, sentados à mesa improvisada no jardim e no meio de cascas de laranja e copos vazios. Nunca conseguimos dar essa fotografia a Pelé.

Agora, 29 anos passados, vimos aberta a oportunidade para o fazer.Nos apresentamos no Hotel Four Seasons à hora marcada para uma conferência de impresa.Como o Campeonato Mundial de Futebol de 2002 foi dedicado às crianças do mundo, a Mastercard deu um cheque pelo montante de $25.000 a UNICEF, que é uma das organizações internacionais de protecção á infância.

Pelé, tal como o notável futebolista português Luis Figo, está muito ligado à UNICEF e foi por isso convidado a fazer a entrega do cheque aos representantes desse organismo. Além disso, com a sua simpatia habitual, autografou doze camisolas que foram distribuidas num grupo de doze crianças. Os míudos e miudas tinham estado à espera do seu ídolo durante mais de uma hora, felizes e excitados, mas muito disciplinados sob olhar atento dos professores que os acompanhavam.

No periodo de perguntas, não faltou quem perguntasse a Pelé a sua opinião sobre quem seria o campeão do mundo. A resposta do Rei foi muito diplomática, "cagey" foi o adjetivo usado pelo jornal de The Toronto Star. Depois da conferência que não se prolongou por muito tempo, fomos até aos elevadores por onde Pelé iria se deslocar.Havia ali mais um fan português , um senhor muito simpático que até tinha levado uma bola para o Pelé autografar. Mas não foi possível nos aproximar dele, tão apertada era a segurança. Pelé ficou invisível no meio de um grupo de guardacostas, que avançavam como um hoemm só. Meu marido, em bicos de pés, deu um grito: "EDSON!!! Há 29 anos que estou à espera de lhe entregar isto". O grupo parou e um dos guardacostas tomou a tal fotografia enquanto o meu marido tentava explicar o seu significado.O elevador abriu-se, engoliu o grupo e fechou-se de seguida.

Mas... voltou a abrir, e ali estava Pelé, sorridente e amável, a perguntar se era para assinar. Os guardacostas nos fizeram entrar no elevador e fecharam as portas enquanto explicávamos que a fotografia era para ele, em recordação de nosso almoço em Melbourne . Pelé ficou supreendido mas, depois de nos reconhecer, abraçou emocionado meu marido, assinou a minha cópia da fotografia e como já tinhamos chegado ao seu destino, saiu rapidamente, rodeado do grupo. Menos um que ficou no elevador para nos levar até o lobby do hotel.

Eu fiquei alegre por termos conseguido nosso duplo objetivo, mas também fiquei com pena, isto porque o simpático senhor com quem tinhamos conversado bastante, não conseguiu o autógrafo tão desejado e também porque todo aquele grupo de guardacostas e o excesso de precaução tomadas por todo o pessoal do hotel (nem sequer aparecia o nome do convidado principal na lista de eventos do dia). Fizeram-se sentir com falta de ar, é assim que Pelé e tantasa pessoas famosas devem se sentir, prisioneiros da própria fama, sem poder viajar em liberdade, sem poder falar com quem bem entendem, isolados no meio da multidão.

Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, o  melhor futebolista do século XX, passou por Toronto como um cometa fulgurante, mas nosso breve encontro chegou para constatar que não mudou, o Pelé de 1973 e o Pelé de 2002 só se diferenciaram porque apareceram alguns cabelos brancos, mas é a mesma pessoa, simpático, amável, humilde e modesto.
Gostei imenso e o rever e confirmar a minha primeira impressão a 29 anos. Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

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